BeatBossa

segunda-feira, abril 13, 2009

Vai ver não é nada disso


Saiu na New Yorker essa semana. Tô perdido nessa terra distante chamada Academia, mas especificamente num vilarejo chamado Tese. Quando der eu apareço

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terça-feira, março 24, 2009

algum clichê sobre o tempo

Provavelmente não vou fazer a metade do que eu queria fazer aqui. Sabe aquela sensação: puta merda, se eu pudesse gastar us$30 pra ver um show de jazz, a dave mathews band, o devotchka, o peter, bjorn & john e outras tantas coisas que aparecem por aqui toda semana. Acho que eu não suportaria morar em nova york por exemplo tendo grana só pra viver. já pensou, você morando numa cidade onde tudo acontece e você não poder usufruir disso? mas é esse o sonho americano, ganhar dinheiro pra poder comprar coisas. e poder ver um show, sentar num bar e pedir um drink de us$10 é ter o poder de pagar pra isso. eu não quero um novo toyota, um novo tenis adidas, um mac book, uma calça levi's, eu só queria ter grana pra ir a todos os shows que eu quisesse, comprar todos os livros e dvds que me desse na telha, uns vinis do Miles Davis, Woody Guthrie e Robert Johnson em 78 rotações, enfim... um dia eu chego lá, com o meu sonho americano.
Chicago é uma cidade fabulosa, e espero ainda que o tempo colabore no dia que eu decidir me dar folga os parques estejam bem verdinhos e o céu bem azul, pra que eu possa ir ao zoológico, ao jackson park e aos outros museus que não visitei ainda. o tempo, tá voando: mais três meses de américa.

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quarta-feira, janeiro 21, 2009

Mengão 2008

Além de lingüista, blogueiro de vez em quando, escrivinhador, sou torcedor do Flamengo. A vida seria muito sem graça sem futebol. Claro que é um esporte estúpido, e é por isso que é tão popular, porque é simples. Futebol americano e Baseball são muito cerebrais pra mim, além do que não suporto ter que ver um comercial de carro toda vez que a bola para em campo, o que no futebol americano acontece uma vez por minuto. O Basquete é suportável, além dos três intervalos entre os quartos, eles só passam comercial se algum dos técnicos pedir tempo, logo, num quarto que dura 12 minutos, se cada técnico pedir tempo duas vezes você verá quatro comerciais. Pense comigo: cada quarto dura 12 minutos, o que dá 48 minutos de bola quicando na quadra, se o jogo em média dura duas horas, o que você ficou vendo nessa 1hr12min? é de dar nos nervos. Felizmente, no futebol, das duas horas de jogo, você só acaba vendo os quinze minutos de intervalo de comerciais, mesmo que alguém se machuque, a bola fure, a trave caia, a luz apague NÃO TEM comercial, a gente fica ali esperando pra ver no que vai dar.
Espero que esse ano o mais querido do Brasil, faça valer esse título e presenteie seus torcedores com um bom ano. O campeonato carioca é só uma pré-temporada de luxo. Pensou o brasileirão e a copa do brasil de fevereiro a dezembro? ia ser bacana não ia? podiam fazer o mesmo com as séries b e c. Enfim, boa sorte mengão.
o video saiu daqui

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terça-feira, janeiro 20, 2009

Fim do mês vem outra vez

Semana produtiva, minha tese cresce dia-a-dia. A pilha de artigos e teses pra ler e re-ler também. Hoje o dia amanheceu como se flocos de glacê estivessem caindo do céu, "clara em neve" não poderia ter um nome melhor. Preocupações, dinheiro, aluguel pra pagar e meu salário de janeiro só chega na metade de fevereiro, é a ilógica do cnpq, que que eu posso fazer, se o pagamento se refere a um período de três meses, porque o dinheiro vem no meio do segundo mês? Enfim, a gente dá um jeito. Amanhã estréia Lost. Duas horas da nova temporada em sequência. Eles vão voltar pra ilha? Como eles vão saber pra onde voltar se a ilha desapareceu? O que o John Locke tava fazendo morto no final da última temporada?

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segunda-feira, janeiro 19, 2009

Que venha Obama

Não sei o que mais entusiasma a imprensa americana, a tão esperada saída de Bush ou o histórico momento em que Obama receber a faixa.
Tão contando os minutos:
Fora a quantidade de reportagens que sai toda semana nas revistas: Michele a esposa perfeita, a família perfeita, o modelo de família feliz, o pai modelo. Faz parte da cultura americana se preocupar tanto com a vida pessoal dos seus políticos, já que de alguma forma isso reflete o que eles são enquanto pessoas públicas e administradores. Ah se o brasileiro se preocupasse com a vida particular dos políticos não sobrava um e o Collor, Maluf e outros teriam se aposentado. Aparentemente, o que eles fizeram de bom, foi melhor do que o que eles fizeram de ruim. Aquele ditado velho: rouba mas faz. Até quando vamos ouvir isso com um sorriso e concordar?

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sexta-feira, janeiro 16, 2009

Back on the Tracks

Finalmente, após quase dois meses de espera, meu notebook finalmente está funcionando e operando normalmente, como nunca deveria ter parado de funcionar.  Às vezes me pergunto se esse tipo de coisa só acontece comigo, aí eu descubro que sim, porque quando cheguei em casa o wireless não estava funcionando, tentei rezar mas não adiantou (vai ver que Deus sabe que não sou mais sócio de nem uma igreja); voltei lá e o camarada consertou pra mim em duas horas. e agora está ok. Final de ano foi um saco, frio, solidão e a sensação de que ver tv aberta americana é como ter um canal só dividido em varias faixas. não tem diferença entre os grandes: abc, fox, nbc, cbs, wgn. todos passam as séries que amamos, todos tem um show tosco tipo márcia goldsmith passando no mesmo horario, todos tem um noticiario noturno com um casal sorridente apresentando e alguns passam novelas mexicanas ou americanas mesmo a tarde. Tem um canal chinês, que nao parei pra ver claro, tem dois falados em espanhol e acreditem é um chute na batata não consigo parar pra ver, um deles parece sempre estar passando clipes e prefiro ouvir Zezé Dicamargo e Luciano a genéricos da Beyonce cantando em espanhol, que por sinal é uma língua doce de se ouvir. (Vide o disco "Estampa Fina" do Caetano, ou "Buena Vista Social Club", excluo Shakira desse grupo). Tem as coisas boas, a fox passa dois episódios dos simpsons e de seinfeld todo dia, a wgn passa dois seguidos de friends de segunda a sexta, e pude ver a premiere do 24horas em primeira mão e vou ver a de Lost na próxima quarta (vai lá pra dar uma olhada no que vai acontecer).
Não fiquei sem computador em casa porque um dos meus rommates viajou e deixou o notebook em casa. No final, acabei não trabalhando muito na minha tese, o que me atrasou um pouco. Mas essa semana voltei a escrever e estou progredindo.

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sexta-feira, dezembro 19, 2008

Winter in Chicago

It doesn’t seem that cold
And as the day begins
Small tiny dazzling-shinning snow stars to fall
Slowly, patiently
As there’s no rush no hurries
And falls, on and on
Slowly
It is Monday
A blues moon-day
With all the sour that a Monday can have
And snows
But I don’t feel cold or sad or bad
I don’t know what sort of feeling is this
As I walk in the snowed sidewalks
Feet getting wet, step by step
With my books, also getting wet
As the snow falls, on and on
Sometimes I miss home
Sometimes I don’t
As a matter of a poetic fact
I feel warm in the snow
In the freezing streets of Hyde Park
And some sort of empathy, pitifully
Grows up inside me, slowly
Exactly as the falling snow
And the time passes
Step by step through nowhere
Through nowhen
Just like the snow
Some felling grows up
And accumulates inside me.
______________
E la' vamos no's em mais uma viagem intelectual des-organizada pelo Caio.
Visitem, linquem, divulguem e comentem: http://cidadesimpossiveis.blogspot.com/
ps. se houver algum deslize no ingles, please, let me know.

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quinta-feira, novembro 13, 2008

Um poeminha

Lamento
(ou um reggae-sambado)

Ando meio cansado
vou dar um tempo de
ser eu mesmo, vou
pegar uma onda,
fazer uma trilha
ouvir um jazz e fumar
até meus pulmões explodirem
vou olhar o mar
sentar na areia e ficar
por horas pensando em nada
vou acender uma fogueira
vou olhar as estrelas
cantar uma canção do caetano, depois
de barriga pra lua
imaginar a vida em
outros planetas outras galáxias
Hey Ziggy!
e você vai estar ali
do meu lado me dando um abraço
me lavando desse cansaço
compartilhando do meu tédio
bebendo na minha melancolia,
no meu vinho barato
me fazendo acreditar
que o meu vazio é
a falta da tua alegria.
______
Eu sei que tem cara de arcadismo-reggae-tipo-armandinho, praia, onda, natureza, blá-bla-bla. É só uma forma de dizer que estou com saudade de casa, e depois pensando no que tinha escrito lembrei de uma música do Armandinho "eu hoje acordei, querendo ver o mar..." Isso explica o querer dar um tempo de ser eu mesmo, porque não gosto de Armandinho, não pego onda, fiz poucas trilhas na vida, mas essa semana foi uma daquelas em que se eu pudesse eu teria ido pra praia só pra escutar o barulho do mar e pensar em nada, tô precisando de um relaxamento mental, uma sessão de yoga, queimar um incenso...

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segunda-feira, novembro 10, 2008

OUTONO EM CHICAGO

As folhas secas cobrem os gramados
os passeios os carros as ruas e
caem levadas indefesas pelo vento e
colorem em tons crepusculares
o solo das manhãs sob o
qual agitam-se os esquilos
eu caminho sem pressa e cruzo com pessoas
que me são estranhas faces
desconhecidas que também
não aparentam pressa ou necessidades
urgentes, o dia apenas começa,
há de haver tempo para todos os afazeres

agora as ruas já quase me conhecem
e nos cumprimentamos passeamos juntos
como velhos conhecidos
como amigos gostam de fazer um com o outro
caminhando lado a lado
tornando-se íntimos, com o vagor das relações
amigos calados,
que se entendem por silêncios

os carros nas ruas as casas fechadas
há um friozinho que não chega a
arrepiar, e apenas nos conta que
o verão é findo e esse calor é passageiro
e logo segue viagem, nos despeçamos

uma jovem tem pressa e
esboça um sorriso de bom dia quando
surpreendido viro o rosto ao vê-la
passar por mim com passos menores
mas mais velozes que os meus
talvez atrasada para a primeira classe da
do dia talvez a mãe a
esteja esperando com o café na mesa
torradas geléia de frutas suco de laranja
quem sabe ovos mexidos...
e
me pergunto se esse sorriso
é uma nesga de alegria que resvala e
cai-se como pétala murcha, esquecida
de primavera ou apenas
mais uma folha seca desprendendo-se
cobrindo com tons de vermelho
essa manhã que principia.
_____
ps. desculpem, tive que cometer um poema.

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Fall

Pois é, o frio chegou: 33 graus Farenheit lá fora, o que é 0.5 Celsius, no outono! Welcome to Chicago!!! that's what they say. Na verdade não queria ter que sair na sexta, mas como tinha que ir buscar meu cheque no Walker Museum, lá fui. Como estava na rua, aproveitei pra depositar o cheque e passar no correio pra mandar um postal pro meu irmão Jeferson e pra minha prima Simone. No banco descobri que a caixa é brasileira, o que é mais uma evidência de que tem muito brasileiro aqui, a comunidade do orkut é só a ponta do iceberg, trocar umas palavrinhas 
em português foi bom, afinal dois meses aqui e o máximo de português que tenho falado é quando falo com alguém pelo Skype. Isso feito fui pra biblioteca procurar um livros. Eu me surpreendo toda vez que vou lá, porque mesmo que eu descreva aqui ainda vai parecer pequeno. Dizem que é uma das melhores bibliotecas de humanas dos Estados Unidos, e se tem trabalhos
em lingüística em Português que 90% das nossas universidades ainda não têm, então acho que acredito nisso. Claro, a universidade tem mais de 100 anos e nesse tempo todo eles juntaram alguns livros, mas acho que só a área de línguas faria a biblioteca do IEL passar vergonha. Tudo bem, elas ganham muitas doações, e tirando o Mindlin, acho que os milionários do país não estão nem aí se a biblioteca da universidade onde eles estudaram tá precisando de uma doação para renovar o acervo. Isso é algo que me admira também, a universidade é paga, os caras pagam para estudar aqui. Muitos deles saem daqui e anos depois viram políticos, escritores, médicos, grandes economistas (um cara acabou de doar US$300 milhões para a escola de negócios da universidade, que claro, agora tem o seu nome, provavelmente a palavra Crise, deve ter outro sentido pra ele, segundo diz o e-mail que recebi, um consultor de investimentos), o Nobel de Física desse ano leciona aqui, para vocês terem uma idéia e mais de 70 prêmios Nobel estudaram ou trabalharam aqui. Que brasileiro ficaria grato pelo que é como profissional pela Universidade onde estudou? A maioria sai falando mal, muito mal: os professores são ruins, a estrutura
é péssima, a biblioteca é fraca, não há bolsas... e como apesar de tudo isso, surgiram todos os intelectuais e cientistas que a gente teve na história? milagre eu diria, além do fato de muitos deles terem ido fazer doutorado aqui ou na europa. Ou são mais um exemplo de que as dificuldades são superadas com força de vontade e perseverança. Eu não posso reclamar, 
só estou aqui porque tenho bolsa, do governo federal, e me orgulho muito disso também porque ninguém me deu, eu fui atrás e consegui, mérito meu. Mas acho que se quem tem dinheiro no país olhasse mais para a educação, as coisas poderiam ser melhores.
Final de semana não saí de casa. Claro, botei a cara pra fora pra fumar um cigarrinho, ou dois, mas foi só, mesmo quando a vodka acabou sábado a noite, deu preguiça de ir comprar alguma coisa pra beber. Nessas horas eu lembro daquela música do Barão "mais uma dose, é claro que eu tô afim/a noite nunca tem fim/por que que a gente é assim?". Acabei vendo "Conduta de 
Risco", um nome tosco pra "Michael Clayton", que deu o Oscar (imerecido) pra Tilda Alguma-coisa, o George Clooney me surpreendeu com o seu papel aqui, mas não tinha como competir com o Day-Lewis, vai a dica, se não viu veja, fazia tempo que não saia uma safra de dramas bons como saiu ano passado. A Tharen me ligou da Colômbia sábado a tarde e a gente conversou um pouco pelo Skype, foi bacana ter conversado com ela e saber que ela está gostando de lá, apesar da bagunça da cidade e do povo feio. Domigo, passei um pouco de raiva com o Flamengo, mas tudo bem o jogo tava tão chato que passei mais tempo no msn conversando com o povo do que vendo o jogo, deu pra matar um pouco a saudade do povo de lá. Dei uma de racker e consegui tirar aquela mensagem chata do windows que fica dizendo que minha cópia do xp é pirata, agora tá legalizada de graça, :D e aprendi também a fazer com que não abra tudo quando o computador inicia, outra maravilha. Antes de dormir vi "Os incompreendidos", do Truffaut. Tinha baixado há um tempo e enfim assisti, se eu lembrar e der tempo eu escrevo sobre ele durante a semana. Fui.
ps. sei que parece tolice, mas depois que vi o outono aqui entendi porque eles chamam essa estação de Fall. é o tipo de coisa que se eu for contar pra alguém vão responder, ah tá, e você descobriu sozinho? 

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quarta-feira, novembro 05, 2008

My Forest Gump day

Todo esse oba oba devido à eleição do Obama e eu aqui, sossegadamente alheio a tudo isso. A história acontecendo ali fora, os fogos de artifício, as pessoas felizes, os comícios acontecendo, jornais publicando artigos já fazendo cobranças, a imprensa do mundo todo eufórica, como se enfim Nero vai entregar os betes, e uma nova era de esperança e properidade para a América e para o mundo nasce. Claro que é histórico, e conhecendo o que a gente conhece da história americana, o tipo de nacionalismo que tem um lado tosco e estúpido... tirem suas próprias conclusões, espero estar errado.

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segunda-feira, novembro 03, 2008

halloween





Como sexta-feira passada foi Halloween, uma festa típica americana, acho que isso merece um post. Meus colegas de casa me convidaram pra ir com eles a uma festa em uma fraternidade, que é como eles chamam as casas onde os estudantes moram. Não me fantasiei, provavelmente porque não estava tão animado assim pra coisa toda e porque não lembrei de sair procurar alguma coisa barata e interessante. Menos mal que eu não era o único não fantasiado lá.

A casa é bem o estilo das casas por aqui, três andares, banheira nos banheiros, uma lareira bem bacana na sala, um jardim bacana nos fundos, escadas e corredores acarpetados, com cara de ser dos anos 40 ou 50, pelo menos, quase tudo aqui nesse bairro tem cara de ser bem antigo, o que dá um certo charme a esse ambiente acadêmico supostamente sério e respeitável.

A decoração estava bem bacana, abóboras, velas, luz vermelha nos banheiros e na sala, tinha até uma Samanta (aquela do Chamado) na banheira de um dos banheiros. Os drinks eram preparados em baldes e com um sistema de chuveirinhos e mangueiras eles enchiam os copos por um dólar, “cosmo” era o gin e Tonica e “screw driver” suco de laranja e vodka, mas também tinha outras coisas que não experimentei e não ousei perguntar o que eram, cerveja tinha Miller, Corona, Heineken, Guinness. Coisa boa não? Em Floripa nos lugares que têm Guinness o preço pode chegar a mais de R$15 uma garrafa, parece preço de vinho, e aqui é tão barato. Nas Liquor shoppes é de ficar louco com tanta marca de cerveja, tem pra todo gosto e bolso.

Voltando a festa, tinha um povo com umas fantasias bem legais e não-usuais, nesse ponto eles são bem criativos. Tinha uma garota fantasiada como “Joe, the plumber”, tudo porque Sara Palin, a candidata a vice-presidente pela chapa do McCaim usou essa expressão pra se referir aos típicos americanos que não fazem nada a não ser ver TV e tomar cerveja o dia todo sendo sustentados pelo governo. Ela parecia um caminhoneiro pra mim, mas enfim, era uma fantasia pelo menos divertida.

O bacana é que conversei com gente da Índia, da Hungria, asiáticos, com um Nepalês, um inglês nascido em Londres, americanos de todas as partes do país, com uma americana que visitou Florianópolis com a família em 2002. Foi super bacana, no fim das contas, apesar da música não estar do meu gosto, mas já cheguei a conclusão que nunca vai estar mesmo, então, deixa pra lá. 

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segunda-feira, outubro 27, 2008

tô vivo

Aparecendo pra dar sinal de vida. Tá difícil mesmo arrumar tempo pra postar, e quando tô meio livre, quer dizer, quando me dou um tempo livre vejo meus seriados favoritos ou algum filme que terminei de baixar. 
Algumas curiosidades, quer dizer, o que acho que sejam curiosidades.

Ainda é estranho ouvir o barulhinho do aquecimento. E hoje tá fazendo um daqueles friozinhos que prometem, o vento assoviando... 

Fiz uma lista de coisas que estranhei por aqui:

- Motociclistas andam sem capacete

- Todo (ou quase todos) ciclista anda com capacete

- Quase tudo fecha às dez (bares e discotecas não, claro, fecham às duas, três), mas lanchonetes, cafés, restaurantes, farmácias. Mas descobri que tem uma farmácia 24hrs aqui perto e um mercado que fica aberto até meia-noite.

- Tem bastante gente pedindo dinheiro pela rua: acreditem, não sei se é porque eu tenho cara de bom-samaritano, mas já me pediram dinheiro várias vezes. Nem em São Paulo ou Floripa vi isso.

- O preço das coisas é um, daí você chega no caixa e vê que na verdade é outro. No começo estranhava, como assim? Não era 1,89? Como é 2,10 agora? O preço na prateleira é um, mas na hora de pagar eles cobram os impostos e taxas, além do imposto do produto tem um tipo de taxa da loja (em alguns lugares).

- Tudo vem em grandes quantidades, grandes mesmo. Fiquei feliz por achar um pote de Hellmann’s pequeno. Tem leite de dois litros, cervejas de um litro, sucos de quase dois litros também, e o que seria a alegria de muitos no Brasil, vodkas em versões de dois litros, um litro, 750ml, versão de bolso, para todos os gostos e ocasiões. E as vodkas boas smirnoff, absolut, svedka.

- o self-service, cuja tradução deveria ser “se vira sozinho”: lavanderias, fotocópias, impressão, comprar passe de ônibus, máquinas de refri e doces tem pra todo lado, caixas de jornal na rua, banca de jornal é coisa rara, só vi uma aqui no bairro, posto de gasolina é self-service também;

- na farmácia tem cerveja e cigarros;

- eles pedem a identidade pra comprar cerveja e cigarros (me senti com cara de adolescente);

- eles parecem adorar carros sedan asiáticos, o que tem de Honda, Hyundai, Toyota, Nissan, em uns modelos e cores que a gente jamais compraria, vai ver por isso não tem no Brasil. Legal foi ver alguns mini-coopers, que são bem pequenos mesmo, mas muito legais; limosines, ferraris, e conversíveis é comum no centro da cidade.

- tem gente que vive comendo, no meio da rua, no meio da aula. No Brasil é meio falta de educação comer alguma coisa no meio da aula, mas aqui muita gente faz isso, tinha um cara até tomando uma sopa um dia desses.

- se o cara tá meio nem aí pra aula, abre o lap-top e fica navegando na net, muita gente faz isso.

- tudo que você imaginar que é salgado tem uma versão super-apimentada. Não reparei nisso, e comprei a versão apimentada da linguicinha :(

- o bacana é que no mercado tem um zilhão de opçoes de coisas, e coisa de toda parte também. o bom foi achar o nescafé, e só uma marca de café achei em pó como o nosso. o pó comum é moído, mas não é pó de verdade e não rende tanto.

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domingo, outubro 05, 2008

primeira semana de aulas


A semana de início de aulas passou bem rápida. Estou assistindo sintaxe, pragmática e métodos de campo. Sintaxe ainda não sei, mas não gostei da professora, que é meio confusa, e o livro texto é apresenta uma proposta de HPSG (Head-driven Phrase Structure Grammar), já vi pessoas apresentando trabalhos em sintaxe por aí usando essa abordagem, vamos ver no que dá. O curso de pragmática também não empolgou ainda. O professor parece ser um cara bacana, mas como a professora de sintaxe está muito preocupado em seguir um livro que a aula fica um saco. Não se sabe se eles estão apenas querendo seguir o livro ou realmente apresentar algum conhecimento sobre o assunto. O prof. de pragmática dá por vezes a impressão de estar dando essa matéria porque ninguém mais quis dar e não parece muito empolgado com o tipo de pragmática que o livro apresenta. Na verdade ele trouxe dois livros texto, um com cada tipo de abordagem. A coisa boa é que ele vai indicar a leitura de alguns textos do Handbook of Pragmatics, Horn et. al., (tem pra baixar por aí). O curso mais bacana acabou sendo métodos de campo (Field methods). A idéia do curso é aprender como coletar dados de uma língua através de elicitação com um falante nativo. Há um sujeito bem simpático de Uganda, falante nativo de Luganda que será o informante. Como só estou assistindo não vou participar ativamente, mas os alunos regulares poderão agendar hora para coletar dados com ele, e terão no final do curso que apresentar um paper sobre algum aspecto da gramática da língua. Há algumas descrições por aí e eles querem tornar essas descrições mais detalhadas. O bom é que vou melhorar meu conhecimento de fonologia, além claro de conhecer um pouco de Luganda.

O bacana da semana foi que já tenho trabalho pra fazer na minha função de pesquisador assistente do Kennedy e do Peter (orientando de Pós-doc do primeiro). Várias coisas pra ler e dados do português para levar pra eles.

Também ocorreu o primeiro chá do departamento. Chá só no nome, porque tinha tudo lá menos chá: sangria, vinho, refri, suco, cerveja. O “Chá” acontece todas as quintas no lounge do departamento, e pelo que me contaram não é usual em outros departamentos da universidade, mas é uma tradição que vem sendo mantida há anos. Acabei conhecendo vários outros alunos, conversa-se sobre tudo, e pelo menos você fica sabendo o que as outras pessoas estudam, conhece os outros professores e alunos, que não estão em sala de aula, e torna a coisa toda mais proveitosa. (algo que definitivamente falta na UFSC, e que deveria acontecer uma vez pelo menos).

Essa semana deve começar os encontros do laboratório de semântica, onde a cada quinze dias alguém apresenta o que está estudando e coloca em discussão o seu trabalho (outra coisa que seria boa, que tentamos e não vingou). Também há um workshop em lingüística e filosofia da linguagem, também quinzenal, no qual vou participar.

_____

Foto: Navy Pier, não é tão grande olhando de perto.

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domingo, setembro 28, 2008

Resumo da semana. Sept 28th, 2008


Não sei exatamente por onde começar. Essa semana passou rápido, acho que foi porque fiz bastante coisa. Na terça fui até o Navy Píer, um lugar bem bacana onde tem o Museu das crianças, uma roda gigante, um chafariz muito show e um cinema digital. O bacana é que tem um serviço de transporte que busca e leva as pessoas para o centro da cidade. Descobri depois que estava lá, daí peguei carona para voltar para o centro. Acabei achando um sebo enorme, devo ter ficado quase uma hora lá dentro, acabei comprando um livro do Stephen King, “Misery”, por us$4, uma paperback-edition, aquelas mais baratas.

Na quarta pela manhã fui a reunião que o programa de pós-gradução faz com os novos alunos de doutorado. Conheci o pessoal novo, deu pra ver que o doutorado deles funciona mais ou menos como o nosso. Eles tem que cumprir créditos em disciplinas obrigatórias e em seminários especializados, escrever dois artigos publicáveis, um no final do primeiro e outro no final do segundo ano, e no final do terceiro ano apresentam a proposta de tese. Provavelmente eles devem ter entrado já com um orientador em vista, mas eles não tem nenhum orientador quando entram, isso eles fazem depois.

Na quinta me encontrei com o Kennedy para discutir o meu trabalho, apresentei minhas idéias, ele gostou, discutimos o assunto e ele me indicou algumas leituras, e me deu um livro que ele acabou de lançar que vou ter que ler durante essa semana. A tarde fui visitar o Art Institute of Chicago, nas quintas depois das 5hrs a entrada é gratuita. Infelizmente algumas galerias com o acervo de arte moderna estão passando por reforma. Acreditem, passei 3 horas lá dentro e vi tudo muito rápido. Tem muita coisa. Arte oriental, africana, indígena, uma sala de design, artigos egípcios, gregos e romanos. Muitas pinturas de artistas americanos do século XVIII e XIX, algumas de impressionistas franceses, Manet, Monet, Lautrec. Ali está o famoso quadro do Edward Hooper, “Nighthawks”, que é simplesmente fantástico ao vivo. Outro quadro absurdamente fabuloso e grande é o “Sunday on La Grand Jette”, 1884, do francês George Seurat, a técnica dele é como se a pintura fosse feita usando apenas pontos, quem sabe o como o Kyle, da série KyleXY desenha, é mais ou menos daquele jeito a pintura, mas o George fez com tinta óleo, e o quadro é enorme, então dá pra imaginar o tempo que levou. Lembram do filme “curtindo a vida adoidado”? quando eles vão nesse museu o Cameron fica encarando um grande e a câmera vai aproximando a imagem do rosto de uma menina no quadro. É esse o quadro. Ah, e dá pra tirar fotos dentro do museu, claro sem flash na máquina. Mas não tem graça tirar foto, são coisas que devem ser vistas ao vivo, mas não resisti e tirei uma foto de um sarcófago e de uma sala inglesa miniatura. Tem uma galeria inteira apenas com miniaturas de interiores de casas inglesas e americanas e a perfeição é absurda.

No sábado, pela manhã fui em uma feira de antiguidades num lugar um pouco afastado do centro da cidade, demorei um pouco pra achar porque desci no ponto errado, mas pelo menos achei o estádio do Bulls, e descobri como é fácil chegar lá. A feira não era lá aquelas coisas. Não era na rua, nem numa praça, e tinha que pagar pra entrar. Paguei meia, us$5. Claro, tinha algumas coisas legais, móveis antigos, tapetes, uma barraca com uma quantidade enorme de discos, roupas usadas, jóias e bijouterias (muitas), cartazes de propagandas antigos, mas extremamente caros, brinquedos antigos. O ambiente era legal, mas se fosse em uma praça, e há muitas praças aqui, a graça seria outra.

Saí dali e no ponto de ônibus encontrei uma brasileira. Ouvi ela conversando com a filha, e foi inevitável fazer a pergunta óbvia: “Você é brasileira?”, ela foi bem simpática. O marido veio fazer MBA e já estão aqui há cinco anos, acabamos pegando o mesmo ônibus, ela me deu umas dicas da cidade, perguntou o que eu estudava, se estava gostando da cidade, essas coisas. Foi bom falar português e ser compreendido, se bem que às vezes converso com voz com uns amigos no Brasil, isso quer dizer que não vou desaprender a falar português tão cedo.

Um guia da cidade recomendava a junção da Clark St com a Belmont Ave, pela agitação, lojas bacanas, bons restaurantes, etc. Pensei que seria um bom programa dar uma caminhada por lá. Lá fui eu. Peguei o metrô e desci na Clark. Só que desci na estação errada, deveria ter descido duas estações depois. Isso eu fui descobrir quando cheguei na Clark com a Belmont e ver que o metrô fica justamente ali. Mas tudo bem, acabei indo a pé até a Belmont Ave. Foi uma caminhada legal, o dia estava bem bonito, havia uma série de barzinhos no caminho, muita gente caminhando na rua, um clima bem bom. Eu estava sem relógio, por isso não faço idéia de quanto tempo caminhei. Parei para comer um cachorro quente num lugarzinho bem bagaceira. Mas como tinha bastante gente comendo ali, fui experimentar. Foi barato, um hot-dog, com fritas, e um copo de Coca-cola custou us$6. O cachorro quente tinha umas coisas estranhas, como duas pimentas, e um pepino azedo enorme cortado ao meio, a salsicha é diferente também. Eu comi um hot-dog do 7-eleven na quinta e a salsicha era bem parecida com a nossa e você poderia colocar o que quisesse nele. Ah, tinha a opção da salsicha ser apenas cozida ou grelhada, pedi cozida, mas depois percebi que grelhada teria sido melhor. A porção de fritas era enorme, não consegui comer tudo e trouxe pra casa o que sobrou. Passei por duas lojas especializadas em quadrinhos, não entrei para evitar a tentação de querer comprar alguma coisa. Mas daí acabei achando uma loja com posters de filmes e deu vontade de levar uns dez embora. No fim acabei comprando o do novo Batman, e o do Pulp Fiction. Depois achei duas lojas que são uma espécie de Brechó-loja-de-fantasia, porque tinha as duas coisas, fantasias e roupas usadas e novas, mas as coisas são misturadas, e você não sabe se aqui é roupa para usar no dia-a-dia ou fantasia. Tinha até um cabide inteiro só com roupas no estilo Big Lebowski. Cabides de camisas organizados por década, 60, 70, 80 e muitas fantasias, claro. Se tivesse uma loja dessa em Floripa, ia virar o paraíso dos punks, dos emos, dos indies, do pessoal da moda, etc porque tem roupa para todos os gostos.

Já ia esquecendo, na minha caminhada pela Clark, ia eu bem tranqüilo quando uma moça me aborda e pergunta se eu teria um minuto, como não tinha nada a perder, parei para escutar ela. Quando eu falei que era brasileiro, ela desandou a falar. Contou que a irmã casou com um brasileiro, mas que ela não lembra o nome da cidade onde eles moram agora no Brasil. Ela já foi visitar eles uma vez, mas se sentiu estranha porque não conseguia entender nada que as pessoas falavam e tinha que pedir para o cunhado traduzir tudo pra ela. Ela gostou do país, das pessoas. Disse que visitou também, Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Falei um pouco de mim também, bla-bla-bla. No final das contas ela estava divulgando um projeto de patrocínio a crianças carentes do terceiro mundo. Eu teria que fazer uma contribuição mensal de pelo menos us$20, pelo que entendi, e poderia me corresponder com a crianças, acompanhar o desempenho escolar, receber informações das pessoas que cuidam do futuro dela lá, poderia visitar ela, etc. Lembram daquele polêmico episódio em que os Simpsons vêm para o Brasil. Tudo começou porque a Lisa estava patrocinando uma criança num programa desses. Pelo menos ela falou que não havia crianças sendo assistidas pelo programa deles, mas em outros países da América latina sim, e na áfrica também. Eu poderia escolher. Bom, apesar dela ser simpática, e quase ter me convencido, não dá né. Mal consigo me patrocinar, quem sabe um dia quando eu tiver uma vida normal com salário, um emprego de verdade, um financiamento na Caixa, aí dê pra pensar em ajudar o próximo distante.

À noite fui ver uma apresentação de Jazz na International House, a moradia para estudantes do exterior. O dia todo houve apresentações de Jazz gratuitas em várias partes de Hyde Park e esse era o show final. Começava às 10hrs e ia até as 2hrs da madrugada. Cheguei às dez, mas como a fila para entrar estava grande, só consegui entrar as 11hrs. Como havia umas senhoras muito simpáticas na fila, até que não foi demorado esperar. Claro, um brasileiro começou a criar caso na porta porque queria entrar para chamar um primo e o policial na portaria não queria deixar. Descobri que era brasileiro porque depois veio outro sujeito tentar ajudar ele a convencer o guarda a deixá-lo entrar, mas o policial foi irredutível. Até que enfim o primo do tal sujeito saiu e eles foram embora. O show foi bem bom, um trio de guitarras, um baixo e bateria. Sensacional, os caras destruíram, e teve um momento em que todos pararam de tocar e ficaram parados vendo o baterista solar, divino. A platéia delirou com o solo. A cerveja estava cara, mas tinha uma espécie de cerveja preta barata, Root Beer, meio mentolada, mas gostosa e refrescante, por us$2,50. Como estava cansado, acabei indo embora meia-noite e pouco, foi chegar em casa e desmaiar na cama.

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quarta-feira, setembro 17, 2008

day #6 15th sept

Fui conhecer meu orientador, Christopher Kennedy. Muito simpático, me mostrou o prédio do departamento de Linguistica e onde fica o laboratório, com os grupos de pesquisa respectivos, fonética, linguistica computacional, semântica, etc. os laboratórios ficam no porão do prédio de ciências sociais (foto), e foram recém reformados porque alagaram ano passado. Vou poder trabalhar ali e também terei uma chave que vou receber na semana próxima. Fui apresentado ao Alan Yu (mais um asiático), que é um dos coordenadores da pós-graduação e coordena o laboratório de fonética, que é quem vai explicar para os novos alunos como funciona todo o programa na próxima quarta. O Kennedy disse que seria interessante que eu participasse para saber como funciona o programa e conhecer os alunos. Também me convidou para uma confraternização de início de ano letivo que deverá acontecer na próxima semana, mas que ainda não tem data certa. Depois fomos tomar um café, aliás o café nas cafeterias é sempre bom. Segundo o Kennedy, a cafeteria do prédio de ciências sociais é um dos melhores lugares do campus pra comer. Comer, claro, doces, salgados, café, refris. Nem sinal de coxinha, empanado, pastel, risoles, etc, Pelo menos tem donut que é muito gostoso.

Depois fui na livraria da universidade onde tem muita coisa legal, mas como tenho que me segurar pra não sair gastando. De material escolar e de escritório a artigos licenciados da universidade, camisetas, moletons, chaveiros, canecas, etc.  só comprei um livrinho de us$12 que o Renato havia me falado sobre, Plato and a Platypus walk into a bar, sobr filosofia exemplificada com piadas, recomendo, tem uma edição brasileira com o título de "Platão e o Ornitorrinco".

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terça-feira, setembro 16, 2008

dia da cerveja


day #4, 14th sept


O final de semana foi interessante. Conheci meu outro colega de apartamento, Daniel, estudante de medicina, nascido na Califórnia, filho de um espanhol e de uma mexicana, e dj nas horas vagas. Ele me contou que esteve no Brasil em fevereiro e conheceu São Paulo, Rio e Bahia, inclusive foi no maracanã ver um jogo do Flamengo, e adorou o país. Ele gosta de música brasileira, Marcelo D2 Rappa, tinha até música do Caju & Castanha no mp3 player dele. Me convidou para ir assistir a um jogo de futebol americano na casa de um amigo. Fui, O amigo dele é um figura, gosta muito de futebol e é fã do Robinho. Ainda não entendi direito como o jogo funciona, mas parece um jogo empolgante. Vimos o primeiro tempo no apartamento do amigo do Daniel, comi um pedaço de bolo de chocolate que a namorada dele tinha feito e fomos assistir o segundo tempo do jogo num bar ali perto. O bar era muito legal, várias telas de tv passando vários jogos ao mesmo tempo, um ambiente muito bacana. Tomamos uma jarra de cerveja, pense numa jarra de quase dois litros, a marca da cerveja era Fat Tire gostosa por sinal, é americana, acho que do Colorado, como uma Kaiser Gold mais encorpada.
o Jogo acabou, o casal de amigos do Daniel foi pra casa e fomos dar uma volta pela cidade. Entramos em um bar em uma região que agora me fugiu o nome. Há várias casas noturnas por ali e muita gente nas ruas. Ele conseguiu colocar nosso nome na lista então não precisamos pagar. O lugar era bacaninha, não tinha nada demais, além de um caixa eletrônico do lado da pista, aliás caixa eletrônico é algo que se acha muito fácil. A cerveja era us$4, considerando que o preço no 
mercado gira em torno da metade disso, acho que não é caro, mas para beber outra coisa é de dez dólares para cima. Ali também acho que trinta por cento das pessoas do lugar eram asiáticos, tomamos uma cerveja, e fomos para um clube de jazz onde um amigo dele estaria tocando e não precisaríamos pagar para entrar. Chegamos meio tarde e pegamos as três últimas músicas. Andy's, um lugar sensacional, bem no centro da cidade, mas pelo menu deu pra sentir que não é barato também, e a entrada seria us$20 se tivéssemos que pagar. A música, claro, era absurdamente boa, e o vocalista um bluesman típico, com um inglês murmurado que eu pouco entendia.
Não lembro direito o que fiz no domingo. Fiz macarrão de almoço, vi o jogo do flamengo pela internet, ouvi o Philosophy Talk, que dá pra ouvir por aqui. Passa ao meio-dia no meu fuso horário, o que quer dizer que passa dez da manhã no Brasil. Um baita dum programa que sempre convida algum filósofo para discutir alguma questão interessante. Dei uma caminhada no final da tarde, fui até o Museu da Ciência e da Indústria mas nao entrei. É bem próximo daqui, e pelo que dizem os guias é um dos mais importantes do gênero no mundo. Vou ter que deixar pra outra hora porque a entrada é us$11 e no momento isso é dinheiro pra caramba, tenho que ver se tem algum dia gratuito, ou se tem desconto pra estudante.
Vou nessa, porque ainda estou dormindo num colchão de ar emprestado e preciso ir dar uma olhada numa cama de verdade.

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sábado, setembro 13, 2008

my chicago diaries

Provavelmente meu blogue vai acabar virando meu diário de bordo, o que é algo legal, porque estou um pouco com preguiça de escrever à mão, e realmente estou cansado depois de passar praticamente dois dias inteiros caminhando. Pelo menos conheço razoavelmente o caminho de casa até a universidade. Tem cada casa sensacional. Descobri que o Hemingway nasceu aqui e algum dia desses vou visitar a casa onde ele nasceu e o museu que fica na mesma rua.
Na sexta caminhei bastante. Fiz o check-in no Office of International Affairs, como estudante estrangeiro tenho que ir lá preencher um formulário, dar meu endereço aqui, eles carimbam alguns documentos meus e pronto. Fui na biblioteca fazer minha carteirinha de estudante da universidade que ficou pronta em um minuto. Depois fui abrir minha conta no Citibank para poder receber minha bolsa, consegui entender tudo que a simpática chinesa me dizia, aliás tem muito oriental por aqui, e a população negra deve ser pelo menos uns 50% do total de habitantes. Conta aberta, depositei meus cheques de viagem na conta, e foi só atualizar meu dados no site do CNPq, e da universidade com minha conta e meu endereço.
Na sexta ainda meu colega de casa Dan me convidou para ir com ele comprar um modem e ir ao mercado. Deu pra dar uma circulada pela cidade, e é legal ver burger king's, wendy's nas ruas. O mercado é como qualquer grande mercado de grande cidade, a comida é apenas um detalhe ali. Tem desde móveis pequenos que você pode montar sozinho, até roupas e eletrônicos. Não vi verduras, mas aqui próximo tem um mercado que só vende verduras e o preço da banana tá bom. O problema é que tudo vem em quantidades tamanho família, o nescafé por exemplo o única tamanho que tinha no mercado devia ser pelo menos umas 200g maior do que o nosso maior tamanho de nescafé. o café em pó achei muito caro, em torno de 6 a 9 dólares. Felizmente achei um em promoção por 4. A vantagem das embalagens grandes é que pelo menos o molho de tomate compensou, paguei menos de u$2 numa lata grande, que provavelmente vai me durar uns dois meses. Também comprei um doce de figo libanês por us$2, mas não gostei, é muito geléia, o nosso doce de figo é melhor. Ah, comi uma torta de maça na quinta, e ela tinha uma geléia dentro também muito enjoativa. Aliás, a comida aqui parece ter uma textura diferente também. O pão parece mais seco. Claro, foi o primeiro pão que eu comprei e como é daqueles de forma acho que vai durar uns quatro ou cinco dias. Ainda não reparei muito no preço da carne. Vi umas bandejinhas de congelados de frango e o preço não varia muito do nosso. Claro, coisas que a gente paga 5 reais eu pago us$5. 
Ontem conheci o Daniel, o hispano-americano que estuda medicina, e dá plantão de trinta horas no hospital da universidade, ele me levou para dar uma volta na cidade à noite e tomar uma cerveja. amanhã eu conto como foi.

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here I am (Or Chicago day #1)

Como já comentaram no meu orkut, parece Hogwarts. Mas não é. É Chicago mesmo, e por aqui estarei nos próximos dez meses. Não é montagem, eu sou feio assim mesmo. Como a maioria dos campus universitários que conheço, este também é um mundo a parte da vizinhança que o circunda, parece um universo paralelo, apesar de todo o bairro ter um cheiro de café, demorei a descobrir o que era, mas depois que fiz o primeiro café aqui, descobri que o café cheira diferente. Vai ver que é porque o café vem da Colômbia, azar o deles, e o meu claro, de não poder tomar café com gostinho de Brasil. Falando em café, em todas as cafeterias que fui os copos de café são enormes. O preço, claro, é do tamanho do copo, e em geral compensa e é bem gostoso. Só não descobri ainda o café ideal para fazer em casa na cafeteira. O "ground coffee" que tem no mercado parece mais grosso do que o nosso pó comum.
Desembarquei no Aeroporto, depois de cumpridas as etapas de alfândega, pegar as malas, andei quase uma meia-hora para achar a saída. Aquele lugar é muuuuuito grande. Uma hora de metrô depois estava eu em Hyde Park, o bairro onde fica o Campus da Universidade de Chicago. 8hrs da manhã horário local. Fui me hospedar na International House para largar as bagagens. A International House é uma moradia estudantil para estudantes americanos e estrangeiros, com vantagens para os segundos, mas essencialmente que estejam no nível "graduate", ou seja graduados cursando PhD, MBA, Post-Doc, e adjacências, que também oferece hospedagem para visitantes. Como não fui esperto o suficiente para fazer reserva tive que pagar 60 dólares para passar a noite, seriam 30 se eu tivesse feito reserva. Pense num lugar bacana com cara de colégio interno británico. é esse o lugar. Claro, os elevadores são super high-tech e tem wire-less em todo o lugar, mas por fora ninguém diz.
Depois fui fazer o check-in com a Dean of Students, algo como a diretora do departamento que cuida da burocracia dos estudantes. Super simpática me explicou tudo que eu precisava fazer e tudo a que terei direito. Me deu um mapa do campus, e me mostrou onde ficam os principais prédios, biblioteca, lanchonetes (não achei um restaurante de verdade ainda), cafés, administração, bancos, emergência do hospital, etc. Depois disso fui procurar um lugar pra morar. Eu tinha visto um lugar pela internet, conversado com o dono e tal. Ele até havia me enviado um contrato, mas seguindo conselhos decidi esperar e ver o lugar primeiro. Não era o que as fotos mostravam e a vizinhança não me pareceu segura. Me pareceu um bairro só de negros, e enquanto caminhava na rua sentia que as pessoas me olhavam se perguntando o que eu estava fazendo ali. Procurei por outras opções na internet. Enviei alguns e-mails. A primeira resposta, liguei para o Dan, e vim visitar o quarto onde estou agora. Lugar bacana, 15 min a pé da universidade, bem localizado, muitas lanchonetes na rua, mercado próximo, um parque fantástico muito próximo também. Fechou. A casa está um pouco sujo porque os meus outros housemates estão meio de mudança ainda, e por isso hoje dei uma limpada na cozinha que parecia meio suja mesmo para os meus padrões (quem me conhece deve imaginar o quanto estava suja) e limpei a janela do meu quarto que literalmente estava preta. Por ora estou dormindo num colchão de ar, como choveu ontem e hoje o dia todo, vou ter que esperar até segunda para procurar uma cama.
Fui comprar uma cerveja hoje pela manhã e brasileira só tinha Xingu, e olhe que o lugar era especializado em bebidas, tinha Heineken de todos os tamanhos, mas podia ter uma Brahma pelo menos. Acabei comprando uma Tecate, mexicana, que até é razoável, parece uma Itaipava, é bem leve e meio adocicada.
Eu vou ficando por aqui. Volto logo pra contar minhas aventuras na cidade do Al Capone.

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