Vai ver não é nada disso

Saiu na New Yorker essa semana. Tô perdido nessa terra distante chamada Academia, mas especificamente num vilarejo chamado Tese. Quando der eu apareço
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Provavelmente não vou fazer a metade do que eu queria fazer aqui. Sabe aquela sensação: puta merda, se eu pudesse gastar us$30 pra ver um show de jazz, a dave mathews band, o devotchka, o peter, bjorn & john e outras tantas coisas que aparecem por aqui toda semana. Acho que eu não suportaria morar em nova york por exemplo tendo grana só pra viver. já pensou, você morando numa cidade onde tudo acontece e você não poder usufruir disso? mas é esse o sonho americano, ganhar dinheiro pra poder comprar coisas. e poder ver um show, sentar num bar e pedir um drink de us$10 é ter o poder de pagar pra isso. eu não quero um novo toyota, um novo tenis adidas, um mac book, uma calça levi's, eu só queria ter grana pra ir a todos os shows que eu quisesse, comprar todos os livros e dvds que me desse na telha, uns vinis do Miles Davis, Woody Guthrie e Robert Johnson em 78 rotações, enfim... um dia eu chego lá, com o meu sonho americano.
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Além de lingüista, blogueiro de vez em quando, escrivinhador, sou torcedor do Flamengo. A vida seria muito sem graça sem futebol. Claro que é um esporte estúpido, e é por isso que é tão popular, porque é simples. Futebol americano e Baseball são muito cerebrais pra mim, além do que não suporto ter que ver um comercial de carro toda vez que a bola para em campo, o que no futebol americano acontece uma vez por minuto. O Basquete é suportável, além dos três intervalos entre os quartos, eles só passam comercial se algum dos técnicos pedir tempo, logo, num quarto que dura 12 minutos, se cada técnico pedir tempo duas vezes você verá quatro comerciais. Pense comigo: cada quarto dura 12 minutos, o que dá 48 minutos de bola quicando na quadra, se o jogo em média dura duas horas, o que você ficou vendo nessa 1hr12min? é de dar nos nervos. Felizmente, no futebol, das duas horas de jogo, você só acaba vendo os quinze minutos de intervalo de comerciais, mesmo que alguém se machuque, a bola fure, a trave caia, a luz apague NÃO TEM comercial, a gente fica ali esperando pra ver no que vai dar.
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Semana produtiva, minha tese cresce dia-a-dia. A pilha de artigos e teses pra ler e re-ler também. Hoje o dia amanheceu como se flocos de glacê estivessem caindo do céu, "clara em neve" não poderia ter um nome melhor. Preocupações, dinheiro, aluguel pra pagar e meu salário de janeiro só chega na metade de fevereiro, é a ilógica do cnpq, que que eu posso fazer, se o pagamento se refere a um período de três meses, porque o dinheiro vem no meio do segundo mês? Enfim, a gente dá um jeito. Amanhã estréia Lost. Duas horas da nova temporada em sequência. Eles vão voltar pra ilha? Como eles vão saber pra onde voltar se a ilha desapareceu? O que o John Locke tava fazendo morto no final da última temporada?
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Não sei o que mais entusiasma a imprensa americana, a tão esperada saída de Bush ou o histórico momento em que Obama receber a faixa.
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Finalmente, após quase dois meses de espera, meu notebook finalmente está funcionando e operando normalmente, como nunca deveria ter parado de funcionar. Às vezes me pergunto se esse tipo de coisa só acontece comigo, aí eu descubro que sim, porque quando cheguei em casa o wireless não estava funcionando, tentei rezar mas não adiantou (vai ver que Deus sabe que não sou mais sócio de nem uma igreja); voltei lá e o camarada consertou pra mim em duas horas. e agora está ok. Final de ano foi um saco, frio, solidão e a sensação de que ver tv aberta americana é como ter um canal só dividido em varias faixas. não tem diferença entre os grandes: abc, fox, nbc, cbs, wgn. todos passam as séries que amamos, todos tem um show tosco tipo márcia goldsmith passando no mesmo horario, todos tem um noticiario noturno com um casal sorridente apresentando e alguns passam novelas mexicanas ou americanas mesmo a tarde. Tem um canal chinês, que nao parei pra ver claro, tem dois falados em espanhol e acreditem é um chute na batata não consigo parar pra ver, um deles parece sempre estar passando clipes e prefiro ouvir Zezé Dicamargo e Luciano a genéricos da Beyonce cantando em espanhol, que por sinal é uma língua doce de se ouvir. (Vide o disco "Estampa Fina" do Caetano, ou "Buena Vista Social Club", excluo Shakira desse grupo). Tem as coisas boas, a fox passa dois episódios dos simpsons e de seinfeld todo dia, a wgn passa dois seguidos de friends de segunda a sexta, e pude ver a premiere do 24horas em primeira mão e vou ver a de Lost na próxima quarta (vai lá pra dar uma olhada no que vai acontecer).
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It doesn’t seem that cold
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Lamento
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As folhas secas cobrem os gramados
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Todo esse oba oba devido à eleição do Obama e eu aqui, sossegadamente alheio a tudo isso. A história acontecendo ali fora, os fogos de artifício, as pessoas felizes, os comícios acontecendo, jornais publicando artigos já fazendo cobranças, a imprensa do mundo todo eufórica, como se enfim Nero vai entregar os betes, e uma nova era de esperança e properidade para a América e para o mundo nasce. Claro que é histórico, e conhecendo o que a gente conhece da história americana, o tipo de nacionalismo que tem um lado tosco e estúpido... tirem suas próprias conclusões, espero estar errado.
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A casa é bem o estilo das casas por aqui, três andares, banheira nos banheiros, uma lareira bem bacana na sala, um jardim bacana nos fundos, escadas e corredores acarpetados, com cara de ser dos anos 40 ou 50, pelo menos, quase tudo aqui nesse bairro tem cara de ser bem antigo, o que dá um certo charme a esse ambiente acadêmico supostamente sério e respeitável.
A decoração estava bem bacana, abóboras, velas, luz vermelha nos banheiros e na sala, tinha até uma Samanta (aquela do Chamado) na banheira de um dos banheiros. Os drinks eram preparados em baldes e com um sistema de chuveirinhos e mangueiras eles enchiam os copos por um dólar, “cosmo” era o gin e Tonica e “screw driver” suco de laranja e vodka, mas também tinha outras coisas que não experimentei e não ousei perguntar o que eram, cerveja tinha Miller, Corona, Heineken, Guinness. Coisa boa não? Em Floripa nos lugares que têm Guinness o preço pode chegar a mais de R$15 uma garrafa, parece preço de vinho, e aqui é tão barato. Nas Liquor shoppes é de ficar louco com tanta marca de cerveja, tem pra todo gosto e bolso.
Voltando a festa, tinha um povo com umas fantasias bem legais e não-usuais, nesse ponto eles são bem criativos. Tinha uma garota fantasiada como “Joe, the plumber”, tudo porque Sara Palin, a candidata a vice-presidente pela chapa do McCaim usou essa expressão pra se referir aos típicos americanos que não fazem nada a não ser ver TV e tomar cerveja o dia todo sendo sustentados pelo governo. Ela parecia um caminhoneiro pra mim, mas enfim, era uma fantasia pelo menos divertida.
O bacana é que conversei com gente da Índia, da Hungria, asiáticos, com um Nepalês, um inglês nascido em Londres, americanos de todas as partes do país, com uma americana que visitou Florianópolis com a família em 2002. Foi super bacana, no fim das contas, apesar da música não estar do meu gosto, mas já cheguei a conclusão que nunca vai estar mesmo, então, deixa pra lá.
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Aparecendo pra dar sinal de vida. Tá difícil mesmo arrumar tempo pra postar, e quando tô meio livre, quer dizer, quando me dou um tempo livre vejo meus seriados favoritos ou algum filme que terminei de baixar.
Fiz uma lista de coisas que estranhei por aqui:
- Motociclistas andam sem capacete
- Todo (ou quase todos) ciclista anda com capacete
- Quase tudo fecha às dez (bares e discotecas não, claro, fecham às duas, três), mas lanchonetes, cafés, restaurantes, farmácias. Mas descobri que tem uma farmácia 24hrs aqui perto e um mercado que fica aberto até meia-noite.
- Tem bastante gente pedindo dinheiro pela rua: acreditem, não sei se é porque eu tenho cara de bom-samaritano, mas já me pediram dinheiro várias vezes. Nem
- O preço das coisas é um, daí você chega no caixa e vê que na verdade é outro. No começo estranhava, como assim? Não era 1,89? Como é 2,10 agora? O preço na prateleira é um, mas na hora de pagar eles cobram os impostos e taxas, além do imposto do produto tem um tipo de taxa da loja (em alguns lugares).
- Tudo vem em grandes quantidades, grandes mesmo. Fiquei feliz por achar um pote de Hellmann’s pequeno. Tem leite de dois litros, cervejas de um litro, sucos de quase dois litros também, e o que seria a alegria de muitos no Brasil, vodkas em versões de dois litros, um litro, 750ml, versão de bolso, para todos os gostos e ocasiões. E as vodkas boas smirnoff, absolut, svedka.
- o self-service, cuja tradução deveria ser “se vira sozinho”: lavanderias, fotocópias, impressão, comprar passe de ônibus, máquinas de refri e doces tem pra todo lado, caixas de jornal na rua, banca de jornal é coisa rara, só vi uma aqui no bairro, posto de gasolina é self-service também;
- na farmácia tem cerveja e cigarros;
- eles pedem a identidade pra comprar cerveja e cigarros (me senti com cara de adolescente);
- eles parecem adorar carros sedan asiáticos, o que tem de Honda, Hyundai, Toyota, Nissan, em uns modelos e cores que a gente jamais compraria, vai ver por isso não tem no Brasil. Legal foi ver alguns mini-coopers, que são bem pequenos mesmo, mas muito legais; limosines, ferraris, e conversíveis é comum no centro da cidade.
- tem gente que vive comendo, no meio da rua, no meio da aula. No Brasil é meio falta de educação comer alguma coisa no meio da aula, mas aqui muita gente faz isso, tinha um cara até tomando uma sopa um dia desses.
- se o cara tá meio nem aí pra aula, abre o lap-top e fica navegando na net, muita gente faz isso.
- tudo que você imaginar que é salgado tem uma versão super-apimentada. Não reparei nisso, e comprei a versão apimentada da linguicinha :(
- o bacana é que no mercado tem um zilhão de opçoes de coisas, e coisa de toda parte também. o bom foi achar o nescafé, e só uma marca de café achei em pó como o nosso. o pó comum é moído, mas não é pó de verdade e não rende tanto.
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A semana de início de aulas passou bem rápida. Estou assistindo sintaxe, pragmática e métodos de campo. Sintaxe ainda não sei, mas não gostei da professora, que é meio confusa, e o livro texto é apresenta uma proposta de HPSG (Head-driven Phrase Structure Grammar), já vi pessoas apresentando trabalhos em sintaxe por aí usando essa abordagem, vamos ver no que dá. O curso de pragmática também não empolgou ainda. O professor parece ser um cara bacana, mas como a professora de sintaxe está muito preocupado em seguir um livro que a aula fica um saco. Não se sabe se eles estão apenas querendo seguir o livro ou realmente apresentar algum conhecimento sobre o assunto. O prof. de pragmática dá por vezes a impressão de estar dando essa matéria porque ninguém mais quis dar e não parece muito empolgado com o tipo de pragmática que o livro apresenta. Na verdade ele trouxe dois livros texto, um com cada tipo de abordagem. A coisa boa é que ele vai indicar a leitura de alguns textos do Handbook of Pragmatics, Horn et. al., (tem pra baixar por aí). O curso mais bacana acabou sendo métodos de campo (Field methods). A idéia do curso é aprender como coletar dados de uma língua através de elicitação com um falante nativo. Há um sujeito bem simpático de Uganda, falante nativo de Luganda que será o informante. Como só estou assistindo não vou participar ativamente, mas os alunos regulares poderão agendar hora para coletar dados com ele, e terão no final do curso que apresentar um paper sobre algum aspecto da gramática da língua. Há algumas descrições por aí e eles querem tornar essas descrições mais detalhadas. O bom é que vou melhorar meu conhecimento de fonologia, além claro de conhecer um pouco de Luganda.
O bacana da semana foi que já tenho trabalho pra fazer na minha função de pesquisador assistente do Kennedy e do Peter (orientando de Pós-doc do primeiro). Várias coisas pra ler e dados do português para levar pra eles.
Também ocorreu o primeiro chá do departamento. Chá só no nome, porque tinha tudo lá menos chá: sangria, vinho, refri, suco, cerveja. O “Chá” acontece todas as quintas no lounge do departamento, e pelo que me contaram não é usual em outros departamentos da universidade, mas é uma tradição que vem sendo mantida há anos. Acabei conhecendo vários outros alunos, conversa-se sobre tudo, e pelo menos você fica sabendo o que as outras pessoas estudam, conhece os outros professores e alunos, que não estão em sala de aula, e torna a coisa toda mais proveitosa. (algo que definitivamente falta na UFSC, e que deveria acontecer uma vez pelo menos).
Essa semana deve começar os encontros do laboratório de semântica, onde a cada quinze dias alguém apresenta o que está estudando e coloca em discussão o seu trabalho (outra coisa que seria boa, que tentamos e não vingou). Também há um workshop em lingüística e filosofia da linguagem, também quinzenal, no qual vou participar.
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Foto: Navy Pier, não é tão grande olhando de perto.
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Na quarta pela manhã fui a reunião que o programa de pós-gradução faz com os novos alunos de doutorado. Conheci o pessoal novo, deu pra ver que o doutorado deles funciona mais ou menos como o nosso. Eles tem que cumprir créditos em disciplinas obrigatórias e em seminários especializados, escrever dois artigos publicáveis, um no final do primeiro e outro no final do segundo ano, e no final do terceiro ano apresentam a proposta de tese. Provavelmente eles devem ter entrado já com um orientador em vista, mas eles não tem nenhum orientador quando entram, isso eles fazem depois.
Na quinta me encontrei com o Kennedy para discutir o meu trabalho, apresentei minhas idéias, ele gostou, discutimos o assunto e ele me indicou algumas leituras, e me deu um livro que ele acabou de lançar que vou ter que ler durante essa semana. A tarde fui visitar o Art Institute of Chicago, nas quintas depois das 5hrs a entrada é gratuita. Infelizmente algumas galerias com o acervo de arte moderna estão passando por reforma. Acreditem, passei 3 horas lá dentro e vi tudo muito rápido. Tem muita coisa. Arte oriental, africana, indígena, uma sala de design, artigos egípcios, gregos e romanos. Muitas pinturas de artistas americanos do século XVIII e XIX, algumas de impressionistas franceses, Manet, Monet, Lautrec. Ali está o famoso quadro do Edward Hooper, “Nighthawks”, que é simplesmente fantástico ao vivo. Outro quadro absurdamente fabuloso e grande é o “Sunday on
No sábado, pela manhã fui em uma feira de antiguidades num lugar um pouco afastado do centro da cidade, demorei um pouco pra achar porque desci no ponto errado, mas pelo menos achei o estádio do Bulls, e descobri como é fácil chegar lá. A feira não era lá aquelas coisas. Não era na rua, nem numa praça, e tinha que pagar pra entrar. Paguei meia, us$5. Claro, tinha algumas coisas legais, móveis antigos, tapetes, uma barraca com uma quantidade enorme de discos, roupas usadas, jóias e bijouterias (muitas), cartazes de propagandas antigos, mas extremamente caros, brinquedos antigos. O ambiente era legal, mas se fosse em uma praça, e há muitas praças aqui, a graça seria outra.
Saí dali e no ponto de ônibus encontrei uma brasileira. Ouvi ela conversando com a filha, e foi inevitável fazer a pergunta óbvia: “Você é brasileira?”, ela foi bem simpática. O marido veio fazer MBA e já estão aqui há cinco anos, acabamos pegando o mesmo ônibus, ela me deu umas dicas da cidade, perguntou o que eu estudava, se estava gostando da cidade, essas coisas. Foi bom falar português e ser compreendido, se bem que às vezes converso com voz com uns amigos no Brasil, isso quer dizer que não vou desaprender a falar português tão cedo.
Um guia da cidade recomendava a junção da Clark St com a Belmont Ave, pela agitação, lojas bacanas, bons restaurantes, etc. Pensei que seria um bom programa dar uma caminhada por lá. Lá fui eu. Peguei o metrô e desci na Clark. Só que desci na estação errada, deveria ter descido duas estações depois. Isso eu fui descobrir quando cheguei na Clark com a Belmont e ver que o metrô fica justamente ali. Mas tudo bem, acabei indo a pé até a Belmont Ave. Foi uma caminhada legal, o dia estava bem bonito, havia uma série de barzinhos no caminho, muita gente caminhando na rua, um clima bem bom. Eu estava sem relógio, por isso não faço idéia de quanto tempo caminhei. Parei para comer um cachorro quente num lugarzinho bem bagaceira. Mas como tinha bastante gente comendo ali, fui experimentar. Foi barato, um hot-dog, com fritas, e um copo de Coca-cola custou us$6. O cachorro quente tinha umas coisas estranhas, como duas pimentas, e um pepino azedo enorme cortado ao meio, a salsicha é diferente também. Eu comi um hot-dog do 7-eleven na quinta e a salsicha era bem parecida com a nossa e você poderia colocar o que quisesse nele. Ah, tinha a opção da salsicha ser apenas cozida ou grelhada, pedi cozida, mas depois percebi que grelhada teria sido melhor. A porção de fritas era enorme, não consegui comer tudo e trouxe pra casa o que sobrou. Passei por duas lojas especializadas em quadrinhos, não entrei para evitar a tentação de querer comprar alguma coisa. Mas daí acabei achando uma loja com posters de filmes e deu vontade de levar uns dez embora. No fim acabei comprando o do novo Batman, e o do Pulp Fiction. Depois achei duas lojas que são uma espécie de Brechó-loja-de-fantasia, porque tinha as duas coisas, fantasias e roupas usadas e novas, mas as coisas são misturadas, e você não sabe se aqui é roupa para usar no dia-a-dia ou fantasia. Tinha até um cabide inteiro só com roupas no estilo Big Lebowski. Cabides de camisas organizados por década, 60, 70, 80 e muitas fantasias, claro. Se tivesse uma loja dessa em Floripa, ia virar o paraíso dos punks, dos emos, dos indies, do pessoal da moda, etc porque tem roupa para todos os gostos.
Já ia esquecendo, na minha caminhada pela Clark, ia eu bem tranqüilo quando uma moça me aborda e pergunta se eu teria um minuto, como não tinha nada a perder, parei para escutar ela. Quando eu falei que era brasileiro, ela desandou a falar. Contou que a irmã casou com um brasileiro, mas que ela não lembra o nome da cidade onde eles moram agora no Brasil. Ela já foi visitar eles uma vez, mas se sentiu estranha porque não conseguia entender nada que as pessoas falavam e tinha que pedir para o cunhado traduzir tudo pra ela. Ela gostou do país, das pessoas. Disse que visitou também, Argentina, Chile, Peru e Colômbia. Falei um pouco de mim também, bla-bla-bla. No final das contas ela estava divulgando um projeto de patrocínio a crianças carentes do terceiro mundo. Eu teria que fazer uma contribuição mensal de pelo menos us$20, pelo que entendi, e poderia me corresponder com a crianças, acompanhar o desempenho escolar, receber informações das pessoas que cuidam do futuro dela lá, poderia visitar ela, etc. Lembram daquele polêmico episódio em que os Simpsons vêm para o Brasil. Tudo começou porque a Lisa estava patrocinando uma criança num programa desses. Pelo menos ela falou que não havia crianças sendo assistidas pelo programa deles, mas em outros países da América latina sim, e na áfrica também. Eu poderia escolher. Bom, apesar dela ser simpática, e quase ter me convencido, não dá né. Mal consigo me patrocinar, quem sabe um dia quando eu tiver uma vida normal com salário, um emprego de verdade, um financiamento na Caixa, aí dê pra pensar em ajudar o próximo distante.
À noite fui ver uma apresentação de Jazz na International House, a moradia para estudantes do exterior. O dia todo houve apresentações de Jazz gratuitas em várias partes de Hyde Park e esse era o show final. Começava às 10hrs e ia até as 2hrs da madrugada. Cheguei às dez, mas como a fila para entrar estava grande, só consegui entrar as 11hrs. Como havia umas senhoras muito simpáticas na fila, até que não foi demorado esperar. Claro, um brasileiro começou a criar caso na porta porque queria entrar para chamar um primo e o policial na portaria não queria deixar. Descobri que era brasileiro porque depois veio outro sujeito tentar ajudar ele a convencer o guarda a deixá-lo entrar, mas o policial foi irredutível. Até que enfim o primo do tal sujeito saiu e eles foram embora. O show foi bem bom, um trio de guitarras, um baixo e bateria. Sensacional, os caras destruíram, e teve um momento em que todos pararam de tocar e ficaram parados vendo o baterista solar, divino. A platéia delirou com o solo. A cerveja estava cara, mas tinha uma espécie de cerveja preta barata, Root Beer, meio mentolada, mas gostosa e refrescante, por us$2,50. Como estava cansado, acabei indo embora meia-noite e pouco, foi chegar em casa e desmaiar na cama.
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Fui conhecer meu orientador, Christopher Kennedy. Muito simpático, me mostrou o prédio do departamento de Linguistica e onde fica o laboratório, com os grupos de pesquisa respectivos, fonética, linguistica computacional, semântica, etc. os laboratórios ficam no porão do prédio de ciências sociais (foto), e foram recém reformados porque alagaram ano passado. Vou poder trabalhar ali e também terei uma chave que vou receber na semana próxima. Fui apresentado ao Alan Yu (mais um asiático), que é um dos coordenadores da pós-graduação e coordena o laboratório de fonética, que é quem vai explicar para os novos alunos como funciona todo o programa na próxima quarta. O Kennedy disse que seria interessante que eu participasse para saber como funciona o programa e conhecer os alunos. Também me convidou para uma confraternização de início de ano letivo que deverá acontecer na próxima semana, mas que ainda não tem data certa. Depois fomos tomar um café, aliás o café nas cafeterias é sempre bom. Segundo o Kennedy, a cafeteria do prédio de ciências sociais é um dos melhores lugares do campus pra comer. Comer, claro, doces, salgados, café, refris. Nem sinal de coxinha, empanado, pastel, risoles, etc, Pelo menos tem donut que é muito gostoso.
Depois fui na livraria da universidade onde tem muita coisa legal, mas como tenho que me segurar pra não sair gastando. De material escolar e de escritório a artigos licenciados da universidade, camisetas, moletons, chaveiros, canecas, etc. só comprei um livrinho de us$12 que o Renato havia me falado sobre, Plato and a Platypus walk into a bar, sobr filosofia exemplificada com piadas, recomendo, tem uma edição brasileira com o título de "Platão e o Ornitorrinco".
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Provavelmente meu blogue vai acabar virando meu diário de bordo, o que é algo legal, porque estou um pouco com preguiça de escrever à mão, e realmente estou cansado depois de passar praticamente dois dias inteiros caminhando. Pelo menos conheço razoavelmente o caminho de casa até a universidade. Tem cada casa sensacional. Descobri que o Hemingway nasceu aqui e algum dia desses vou visitar a casa onde ele nasceu e o museu que fica na mesma rua.
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Como já comentaram no meu orkut, parece Hogwarts. Mas não é. É Chicago mesmo, e por aqui estarei nos próximos dez meses. Não é montagem, eu sou feio assim mesmo. Como a maioria dos campus universitários que conheço, este também é um mundo a parte da vizinhança que o circunda, parece um universo paralelo, apesar de todo o bairro ter um cheiro de café, demorei a descobrir o que era, mas depois que fiz o primeiro café aqui, descobri que o café cheira diferente. Vai ver que é porque o café vem da Colômbia, azar o deles, e o meu claro, de não poder tomar café com gostinho de Brasil. Falando em café, em todas as cafeterias que fui os copos de café são enormes. O preço, claro, é do tamanho do copo, e em geral compensa e é bem gostoso. Só não descobri ainda o café ideal para fazer em casa na cafeteira. O "ground coffee" que tem no mercado parece mais grosso do que o nosso pó comum.Marcadores: eu chicago