janela indiscreta

Acredito que o ponto de vista do filme é o que define um tipo de estética que eu acredito que exista na literatura, onde a figura do espião é o arquétipo. O artista, o diretor de cinema, o escritor é alguém que invade a casa das pessoas, na sua intimidade, para ouvir atrás da porta, para ouvir o que a moça canta enquanto se banha, e se possível tentar advinhar em quem ela pensa quando se masturba sozinha a noite. Mas isso me parece meio óbvio demais, ou simples, sei lá. Mas é uma coisa que não vejo em uma certa literatura contemporânea mais centrada na linguagem em si, ou na impossibilidade da linguagem representar, ou capturar esteticamente a realidade. A objetividade é apenas ilusão. Concordo com isso, mas para mim, e a literatura que pretendo conversa com a arte que caras como o Dalton Trevisan, e Nelson Rodrigues fazem. remexendo no lixo dos nossos pequenhos pecados domésticos, nas raspas das relações, na escória da humanidade está o que nos define enquanto humanidade.
E o filme "janela indiscreta" mostra não só esse lado meio pessimista da vida, a sra coração solitário é um exemplo disso, ou o compositor também, mas mostra que a única saída é encarar a vida de peito aberto, se se der mal, deu ora bolas, e vamos em frente.