BeatBossa

domingo, fevereiro 12, 2006

Todo Canalha é magro




Patrícia Arquette

Claro que o conto não é sobre a Patrícia Arquette, é sobre uma pessoa bem menos interessante. A professora universitária Gislaine, Gisa como preferia ser chamada, apelido que criou para não a batizarem de qualquer outra coisa obscena, era dessas figuras que não passavam incólumes. Não, com um jeito arrastado de andar e uma simpatia de político em campanha certamente se daria bem em qualquer coisa que fizesse na vida, mas a última coisa que queria para si era ser atendente de drive-thru no Mac Donald’s, mesmo com a política de progressão profissional da empresa. Sua realização profissional se deu quando foi transferida do curso de história da arte para o departamento de cinema, recém criado e ainda apenas um roteiro que não havia sido escrito, sequer adaptado. Não bastasse isso, se julgava a coqueluche da modernidade na pesquisa literária, videos de câmeras de segurança como narrativas da modernidade, não poderia haver título mais fabuloso, dizia, como ninguém pensou nisso antes?!. E o melhor de tudo: feminista convicta! Com exclamação e tudo. A maior independência que uma mulher pode ter é ir a qualquer lugar sem precisar de um homem que a leve ou empreste as chaves, uma das suas frases favoritas, depois que tirou carta de motorista; vou mandar pintar uma camisa qualquer dia, profética. Na sala dos professores do curso conheceu um jovem professor. Agripino, com nome de velho, recém doutor em semiótica pela USP, parecia que havia herdado as calças que o pai usava nos anos setenta. Uma daquelas cabeças que podem passar horas discutindo o roteiro de um filme de Lynch, mas incapazes de tomar uma cerveja com batata frita num dos botecos em volta da universidade sem sair correndo vomitar quando aquilo tudo lhe caísse no estômago. E o pior de tudo é que você está doido para ouvir alguém falar dos lindos peitos da Patrícia Arquette (parece que só eu percebo essas coisas), e o melhor, é que em estrada perdida, são DUAS Patrícia Arquette. Não acreditei. Como um homem não havia reparado num dos mais belos peitos do cinema? Agora, para delírio do leitor, Agripino, que Gisa quase apelidou de Pipi, somente com muita argumentação o chefe do departamento a dissuadiu dessa loucura, já que o apelido tinha tudo para pegar e o novato seria alvo de gozação dos alunos, estava louco para comer Gisa. Ou melhor, comer o cérebro de Gisa. Na verdade o que fosse mais gostoso. Não entendia como aquela figura esguia de peitos caídos e que usava calças que diminuíam ainda mais as suas pequenas nádegas chatas podia entender tanto de tanta coisa. Tinha até uma hipótese, ela deveria ter sido vendedora da enciclopédia britânica durante a graduação, só pode ser isso. Com aquele jeito de rapaz virgem que vai na farmácia comprar camisinha pela primeira vez e acaba roubando para não passar vergonha, conseguiu convidá-la para sair. Ela só aceitou porque o lugar onde iam não era freqüentado pelo pessoal da universidade, imaginou se alguém me vê com você? Para onde vai minha reputação? Claro que algumas cervejas depois, ela com a libido abrindo-lhe o zíper das calças treparia com o primeiro pinto que aparecesse na sua frente. Agripino a levou para casa, melhor, ela levou Agripino para sua casa, a dela. Claro que quando ele a viu tirando as calças brochou. Não sabia direito se pelas pernas peludas ou pela bunda caída, o que viu primeiro. Dizem que foi depois disso que começou a beber.
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PÍLULAS DIGESTIVAS
- Terminei de ler esta semana a biografia de Nelson Rodrigues escrita por Ruy Castro "anjo pornográfico". Todo mundo que gosta de teatro, jornalismo e principalmente de Nelson Rodrigues deve ler esse livro. Apaixonante, escrito lucidamente, como diz meu amigo Caio, é uma escrita gostosa de se ler. A narrativa te envolve, a estória de Nelson se confunde com a estória do jornalismo no Brasil, com a estória política e social e com o teatro que ajudou a revolucionar. Genial, o homem, a obra, a vida.
- Também li "que loucura!" do Woody Allen. Se eu já o adorava pelos filmes, agora o idolatro pela escrita simples, bem humorada e suas comparações inusitadas, ou o que vier antes, como ele diria. Estórias hiper-realistas, intelectuais que discutem Gramsci enquanto transam. Ele consegue mostrar sua cultura sem ser bossal, e adora tirar um sarro dos que o são. Saudade de quando a globo ainda passava alguns dos seus filmes de madrugada.
- Dei uma passada pelos sebos do centro na sexta-feira para matar tempo, sem compromisso. E quem eu encontro lá? "a polaquinha", cheguei a beijar o livro. Achar a polaquinha num sebo!!! E em Floripa? e o melhor de tudo ainda tinha algumas preciosidades lhe fazendo companhia na letra T da prateleira: "chorinho brejeiro", "a trombeta do anjo vingador", "desastres do amor", "crimes de paixão", "a faca no coração". Seis livros do Dalton numa ida ao sebo? e por cinco reais cada? levei todos. Estou louco para comprar o Sexus do Henry Miller, mas vai ter de esperar...
- E o campeonato carioca heim? Se o Flamengo está participando ainda não me avisaram. Se continuarem com essa de craque o Flamengo faz em casa, importando jogador paraguaio (isso é uma piada!) de segunda mão, poderemos continuar assistindo o América na domingo.
- A dissertação está quase pronta, espero conclui-la no final desta semana, se a semana for tão produtiva quanto as duas anteriores.
- Podia ter colocado uma foto da Patrícia, mas fica para a próxima. Cruzei com essa e adorei.
- O título do conto é apenas para ilustrar como as coisas são. e como algumas coisas nunca serão.


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